CANTO DE FRASSINO

Os meus horizontes são de Vida e de Esperança !

Diário
20/06/2008 16h46
LUX FRATERNITATIS


À memória de
Agostinho da Silva 





A
gora em curso vai saindo a procissão
Gozando loas e cantares mui diversos
Obliterando aqui e além com emoção
Segura de um poema recriado em versos.
Terrenos de horizontes tão diferenciados
Iguais na forma mas na essência amalgamados
Nunca ninguém por si ousou ultrapassar-te,
Honra te seja, meu amigo, meu irmão
Outro consiga eu ser à luz da tua Arte.

Disperso vai o mundo em seu vigor e espanto
Ainda que arrastado à luz do Esp' rito Santo...

Santo e bom Mestre, sim, desta Associação
Investida do fiel exemplo e memória,
Lestos na nova aposta e no humus da razão
Veremos certamente os louros da vitória
Ansiando nesta empresa uma sublime história.




Frassino Machado
In MUSA VIAJANTE


Publicado por FRASSINO MACHADO em 20/06/2008 às 16h46
 
18/06/2008 04h49
PESSOA SEMPRE !


( 1888 – 2008 )

Pessoa/120 anos: Escultura presta homenagem em frente à casa onde nasceu o poeta

Lisboa, 13 Junho - Lisboa tem, a partir de hoje, uma nova estátua de homenagem ao poeta da cidade, Fernando Pessoa, inaugurada no âmbito das comemorações dos 120 anos do seu nascimento, que não têm extensão nacional.
A estátua impõe-se no meio do Largo de S. Carlos, mesmo em frente à casa onde o poeta nasceu, em 1888, e é uma das muitas homenagens que a cidade de Lisboa presta ao escritor de "Mensagem". Na opinião do presidente da Câmara de Lisboa, a cidade tem sabido prestar a Pessoa a homenagem que o poeta merece e tem sabido fazê-lo das mais variadas maneiras.
"Como é sabido, o município tem mantido desde há vários anos a Casa Fernando Pessoa que hoje tem uma actividade muito estimulante, quer na preservação do espólio, quer na digitalização de toda a sua documentação, como na investigação. (...) Mas na verdade, a melhor demonstração de que Pessoa se vai entranhando nas pessoas e as pessoas se vão apropriando dos seus poetas é ouvir as Marchas na cidade de Lisboa e na quantidade de marchas que se referiam a Pessoa como sendo um dos grandes poetas da cidade", defendeu António Costa no final da inauguração da escultura, da autoria do belga Jean-Michel Folon.

Poema que dizem ser
Inédito de Pessoa

Caeiro

Gosto do Céu porque não creio que elle seja infinito.
Que pode ter comigo o que não começa nem acaba?
Não creio no infinito, não creio na eternidade.
Creio que o espaço começa numa parte e numa parte acaba
E que agora e antes d´isso ha absolutamente nada.
Creio que o tempo tem um princípio e tem um fim,
E que antes e depois d´isso não havia tempo.
Porque há-de ser isto falso? Falso é falar de infinitos
Como se soubéssemos o que são de os podermos entender.
Não: tudo é uma quantidade de cousas.
Tudo é definido, tudo é limitado, tudo é cousas.


Publicado por FRASSINO MACHADO em 18/06/2008 às 04h49
 
06/06/2008 07h09
QUERERES


“A arte é perigosa. Mas o artista é
profundo. Dá à sua alma algo de
novo(...) Se você é fraco pode mor
rer...”
Dario Argento


Não adianta querer mudar o mundo, se não cumprimentas teu vizinho...

Não adianta querer mudar o mundo, sendo o que és para ti mesmo, não para o conjunto, o sentido ético-plural-comunitário de existires para um humanismo de resultados...

Não adianta querer mudar o mundo, vivendo para si, pensando como um ególatra no teu prazer, no teu sucesso, não nos miseráveis da rua de amargura da falência neoliberal de uma terceirização neoesclavagista...

Não adianta querer mudar o mundo, estando aí no seu puxadinho pequeno-burguês de contemplares o próprio umbigo, enquanto os fracos e oprimidos – os órfãos do fim das utopias e de algumas insaradas ideologias – estão entregues ao amoral lucro-nojo dos insensíveis que não vêem os históricos muros dos podres poderes de um capitalhordismo de muito ouro e pouco pão...

Não adianta tantos quereres. Olha bem pra ti, o que és, quando és? Sentado no trono do teu apartamento como cantou o artista, dando bom dia ao sonrisal das conquistas pífias, chorado sobre deleites derramados e tirando ouro do nariz empinado. Santa hipocrisia histérica...

Não, não adianta querer mudar o mundo, se não mudas a ti, teus familiares, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, colegas de estudo, e ficas aí enfurnado numa toca de ratinho querendo rugir para um leão que se mostra nu, te devora a saúde de sedentário, o salário informal, a estética gabiru, a aposentadoria-vergonha dilapidada por agiotas emboabas banqueiros que reproduzes pelo consumo de personalidade que és, quando és alguma coisa parecido com gente...

Não adianta querer mudar o mundo, se não enxergas o óbvio ululante, pois que caminhas para o caos, a corda e o abismo, quando pensas que estás certo e fazes parte do antro de escorpiões de te nutre, e no entanto, como um bobo, gritas contra tudo e contra todos, não tendo moral para isso, já que quem vota em ladrão é ladrão também, ladrão de sua própria cidadania inclusive...

Choras, ris, votas como uma marionete, como um bobo da corte, o manietado garçom da santa ceia, o homo sapiens que está cego pela conquista das aparências, mas perdeste o senso, não vês os paradoxos, os contrastes sociais, os desempregados, os que nem têm um espaço nas favelas verticais, porque o contrabando informal viça e as máfias governam os governos...

Comes mortadela e arrotas peru, enquanto o bonde da história passa, a carroça do século está atolada numa falsa mudança pós-Nova Era (o verniz novo para tudo continuar como está), e és um produto na infâmia de um novo tempo que já se assoma desprezando os coitados de sempre, aqueles que não têm o calibre de um dígito na estatística do crédito...

Não és um ser humano na essência da palavra, és um cartão de crédito com uma navalha cega no teu ego doentio, és o que compras, consomes, vestes, e, mesmo querendo parecer um transgressor, um neomaldito, és igualzinho aos pilatos pós-modernos pois internamente lavas as mãos, mas no fundo “levas a mão boba” e glosas o imposto de renda, usas o produto pirata de grife jeca, tens posses que não são tuas, são de escravos asiáticos, de falsos tigres colonizados, de malocas hispano-americanas e sua mundialização deshumana da banda podre da globalização americanalhada...

És o que és. E o que és? Nada. Um zero à esquerda na contabilidade de Zeus, no projecto genoma sem futuro para o futuro de absinto, o calcanhar de Aquiles da espécie insensível, um contra-cheque sem fundo para ti e teus descendentes...Pobre de ti. Ai de ti, Planeta Húmus...

Tua mulher oficial cheira Avon, tua amante cheira detenfon, e a mosca do teu ID encontrou um garçom dentro da sopa das aparências que enganam. Aleluia, zero a zero é goleada no teu charco de estrumes corporativistas para sobrevivência possível...

Perdes quando pensam em mudar o mundo lá longe, não teu mundo interior, próximo, táctil, epidérmico, psicossomatizado entre neuras sublimados, mundo capenga, tendencioso com burrezas pegajentas, já que não existe milagre social sem distribuição de renda, sem que cada um faça sua parte ao seu derredor, olhando o outro como se a si mesmo. Saravá, Betinho.

Lembra-te de Marco Aurélio que disse:

“Pensa na totalidade de todo o Ser e na insignificante migalha que é a tua parte nele: pensa em todo o tempo e no instante fugaz que dele te cabe: pensa no Destino e como insignificante porção que dele tu és...”

Pensar não dói. E porque não pensas, talvez não sabes ainda que os vermes herdarão a terra.



Silas Correia Leite,
Poeta e escritor brasileiro,
Itararé


Publicado por FRASSINO MACHADO em 06/06/2008 às 07h09
 
28/05/2008 07h48
EDUARDO LOURENÇO E A CULTURA PORTUGUESA

Obra Publicada a 21 de Maio de 2008
Por
MIGUEL REAL

Com a publicação de Labirinto da Saudade , 1978 constituiu-se como o ano de absoluto triunfo da visão cultural heterodoxa desencadeada por Eduardo Lourenço com apenas 26 anos, em 1949. O autor tinha então 55 anos, exilara-se voluntariamente de Portugal, ensinara na Alemanha, no Brasil, em França e escrevera já cerca de meia centena de artigos avulsos, coligidos em vários livros.
De proposta considerada fracassada pelo próprio em 1960, a visão heterodoxa, lançada inicialmente contra o domínio omnipotente das ortodoxias católica e comunista, demorou trinta persistentes e solitários anos a consolidar-se por diferentes vias: a criação de uma nova teoria da crítica literária; um novo desenho historiográfico das relações entre as duas mais importantes revistas culturais portuguesas da primeira metade do século XX, Orpheu e Presença ; uma nova visão da poesia e do romance portugueses; uma nova definição do ser português marcado por um «irrealismo prodigioso» e uma «hipertrofia da identidade nacional»; uma crítica ferocíssima ao predomínio da razão clássica na Filosofia em Portugal; e, finalmente, uma nova teoria da representação, erigindo a «ausência de sentido» do ser, o «nada», e o «sentimento trágico» como motores do pensamento europeu contemporâneo.
Só em 1978, esse ano charneira no pensamento de Eduardo Lourenço, todas estas teorias pessoais avulsas se irão cruzar para dar origem a Labirinto da Saudade , um dos mais importantes livros sobre Cultura Portuguesa publicados no último quartel do século XX.
Dividido em quatro partes, «questão cultural», «questão política», questão estética» e «questão filosófica», Eduardo Lourenço e a Cultura Portuguesa evidencia o imenso rasgão cultural produzido pela “visão heterodoxa” no seio da Cultura Portuguesa entre 1949 e 2000.

Miguel Real nasceu em Lisboa, em 1953, e é sintrense por adopção. Licenciou-se em Filosofia e é Mestre em Estudos Portugueses com uma tese sobre Eduardo Lourenço. Estando actualmente a preparar Doutoramento. De entre a sua vasta obra publicou na QuidNovi os romances A Voz da Terra e O Último Negreiro. A novela O Último Minuto na Vida de S. O Ultimo Eça e Agostinho da Silva e a Cultura Portuguesa. Em breve, no ano em que se celebram os quatrocentos anos do nascimento do Padre António Vieira, dará à estampa um Romance e um Ensaio sobre esta grande figura.


Publicado por FRASSINO MACHADO em 28/05/2008 às 07h48
 
24/05/2008 18h55
MISSIVA DE FRASSINO A REAL

Caro e Real amigo!

É com todo o prazer que quero apresentar-me, agora propriamente, que me privilegiou com a possibilidade de estabelecer uma comunicação efectiva entre nós! 
Bem haja pela sua generosa e solidária simpatia. Digo solidária porque - e para já me rejubilo - não estranhou que tenha sido eu a colaborar empenhadamente na campanha de desagravo a Vieira ! Só abona efectivamente da grandeza e justeza humanista do seu carácter. Reitero o meu bem haja!
Primeiramente quero, com toda a sinceridade, felicitá-lo não só pelo seu belo ensaio sobre Eduardo Lourenço , mas também pela oportunidade de que usufruí de assistir durante estes colóquios à sua brilhante intervenção. Gostei sumamente da sua prelecção de ontem e, creia, fiquei não só muito mais enriquecido com os seus "itens basilares" acerca do pensamento filosófico de Eduardo Lourenço, como também tive oportunidade de rever alguns importantes conceitos da Ciência Filosófica, já que originariamente dela provenho, em primeira instância. Eu fui discípulo dos muito conhecidos escolástico/escotistas Costa Freitas, Carreira das Neves e José Enes, nos tempos áureos do lançamento da Católica, e dos Marxistas Borges Coelho, Barata Moura e Carlos Silva, da velha Clássica. Por aqui, se bem concorda, também me poderei identificar como suficiente "heterodoxo", ou não ? Poderemos discutir isto mais tarde, não acha ?
Caríssimo amigo, por mim, tenho estado desde os meus começos (Outubro de 79 ) ligado ao ensino, não de Filosofia ( como gostaria! ) mas da História, onde também sou licenciado. 
Paralelamente evolui noutras áreas, como no desporto ( atleta e treinador internacional ), na música ( como executante de órgão, pelas mãos de Sibertin Blanc ) e, como não podia deixar de ser, escritor/amador e, acima de tudo, poeta. 
Sou natural do norte de Portugal, da terra (semestre, Primavera-Verão) de Raul Brandão, tendo privado desde pequenino até aos meus vinte anos, com a viúva Maria Angelina, altura em que a ajudei a manuscrever pacientemente o que viria a ser a sua segunda obra literária: "UM CORAÇÃO E UMA VONTADE" - a sua primeira, como sabemos, foi (ainda em vida de Brandão) "PORTUGAL PEQUENINO". 
Por outro lado sofri as inevitáveis influências, como não podia deixar de ser, do vizinho e grande Teixeira de Pascoaes - meu patrono na Arte de ser Poeta - que chegou a privar entre os anos 30 e 50 nas duas mansões minhotas: a da Casa do Alto, de Raul Brandão, e a dos Machados, onde pontificavam os "cónegos" Elias, Benjamim Salgado e frei Mário Branco. 
Pois, como lhe disse ontem, eu desde miúdo, sempre escrevi e fiz poesia. Não sei se tem ou não qualidade. Como é óbvio - tal como todos os poetas, segundo todos confessam - escrevo bem ou menos bem, conforme as circunstâncias e a inspiração. Há quem goste de me ler ( para minha justificação prazenteira, confesso! ) e há quem não ache grande graça à minha poética...
Tenho sido uma vez por outra premiado, mais fora do meu país ( no Brasil, em Espanha e em Itália, do que cá.  E, confesso que, por vias da Internet nunca me preocupei ( não sei se para meu bem ou mal ?!) nunca me preocupei com as Editoras. Pois tenho muitíssima poesia publicada em Sites de muitos países, desde a Europa à América Latina.
Na capital faço parte da "TERTÚLIA POÉTICA AO ENCONTRO DE BOCAGE" , dirigida por América Miranda, com sede habitual e semanal no Teatro de D. Maria II e colaboro, como cantor e declamador, mensalmente, num espectáculo de variedades/dominante poética, com o mesmo nome. Tem lugar no primeiro sábado de cada mês, entre as 18 e as 20 horas, no Auditório Carlos Paredes, a Benfica.
Depois desta larga apresentação, cumpre pedir-lhe que gostaria de manter esta profícua comunicação com  a pessoa do meu amigo. Se me der, claro, essa honra...
Tomo  a liberdade de lhe enviar, em primeira mão, o poema que acabei de fazer esta madrugada e de o convidar a visitar os meus principais Sites oportunamente, conforme constam do cartão pessoal que lhe deixei. 
Apenas insiro alguns links, para facilitar a sua pesquisa. 
Com um forte e cordial abraço do poetAmigo sempre
Frassino Machado


Publicado por FRASSINO MACHADO em 24/05/2008 às 18h55



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