

SANTO AMARO, O SANTO VIAJANTE
“Padroeiro dos Peregrinos”
TROVAS A SANTO AMARO I Neste inverno friorento P´ las horas da madrugada Por entre leivas de geada Vai o povo, com alento, À romaria desejada. Não é longe nem é perto Com a alma em oração Santo Amaro, belo ancião, É o Santo sempre certo Nesta digna p´regrinação. Faça sol, chuva ou vento Todos vão com fé e graça À Ermida em ar de festa Pedir ao Santo atendimento Pra maleita que não passa. Santo Amaro, santo Amaro Volta a nós o teu olhar Desse teu florido altar E ao redor do teu amparo Faz-nos dignos do teu brilhar. Santo Amaro, Amaro santo, Largo alfobre de virtude, Dá-nos o mérito da saúde Num sorriso e num encanto Para qu´ esta dor se mude. Santo Amaro, tu és carinho E nossa doce companhia, Vem connosco n´ alegria Até ao fim deste caminho Pra chegar em harmonia. Santo Amaro dos peregrinos Por caminhos de eleição Faz-nos dignos do teu pão E qu´ estes servos pequeninos Cresçam em graça e devoção. Santo Amaro verdadeiro Ouve o povo que t´aclama Não nos deixes cair na lama Tu qu´ és nosso padroeiro E atendes a quem te chama! Ó meu Santo Amaro abade, Como tu eu nunca vi Estas trovas compus pra ti Aumentando esta saudade Numa história que vivi. Léguas e léguas caminhei No meu tempo de criança Volto a ti, numa esperança, Sonho meu qu´ alimentei À luz da fé que t´ alcança. Frassino Machado In TROVAS DO QUOTIDIANO ____ TROVAS A SANTO AMARO II “Recordar é viver” Santo da minha juventude, Sonho ledo em dia claro, Minha saudade e virtude, Meu amigo Santo Amaro… Santo da minha lembrança, Companheiro, dia a dia, Foste pra mim esperança, Alma ingénua de harmonia. Minha escola era longe, Dentro de mim, com carinho, Qual luz no meu horizonte Tu guiavas o meu caminho. Era longa e áspera a estrada, Quase duas horas a pé, Saía às vezes de madrugada Com alma, devoção e fé. Meu caminho era duro, Minha ânsia inquebrantável Estava em jogo o meu futuro E uma vida mais saudável. Na sacola ia a merenda, Meus livros e meus cadernos Muito parca a encomenda Tanto em verões como invernos. Ouvia as horas na torre Que me serviam d´ alerta A confiança nunca morre Chegando na hora certa. Já o sol ia bem alto, Tinha à vista a cidade, Chegava lá em sobressalto, Cansado e com ansiedade. O meu mestre era severo, Não desculpava o atraso, Mesmo que eu fosse sincero Havia ralhete de arraso. Caro Santo, se tu soubesses O medo que eu sentia, Ouvirias minhas preces E eu contente ficaria… As aulas eram um tormento E, ainda que interessantes, Deixavam-me em desalento Com menos vontade qu´ antes. Havia um curto intervalo Para a hora do almoço E, ao som dum grande badalo, Saíamos em alvoroço. Sabes, santo, onde com desvelo A parca merenda ia comer? Para as bandas do castelo Com muita gente para ver. Às aulas de novo voltava Com pouca vontade de ir E, com anseio, eu esperava A bendita hora de sair. Terminado o sacrifício Da famigerada rotina Largava prestes o ofício De aguentar minha sina. Lembrei-me, porém, do teu dia, Do teu dia e do teu carinho Por isso, esqueci-me da azia E pus-me logo a caminho. Passava pela tua feira, Famosa feira do gado, Vacas e bois à maneira E ovelhas por todo o lado. Pra matar minha larica E preencher as horas fracas Bebi sumol duma barrica E comprei umas cavacas. Antes da tarde acabar Voltei de novo à estrada Pra minha casa alcançar Antes de noite cerrada. Meu Santo Amaro, meu Santo, Que belo foi este Dia: Se mais houvesse era encanto E uma excelsa Romaria. Como é belo ver crescer Nossos passos com história Pois recordar é viver Ficando mais rica a Memória! Frassino Machado In TROVAS DO QUOTIDIANO _____
FRASSINO MACHADO
Enviado por FRASSINO MACHADO em 16/01/2026
Alterado em 19/01/2026 Comentários
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