

FERNANDO PESSOA EM DEBATE, 01 / 02
“Questão fundamentante, colocada pelo sr. António Patrício”
“Ex.mo Senhor Frassino Machado, sendo Fernando Pessoa o que afirma ser qual é o lugar da poesia de Pessoa na Literatura Portuguesa sendo que aqui uso literatura como Cultura e o seu lugar... Ou seja: dos seus escritos?” Caro amigo Patrício – permita-me que o considere como tal – indo directo à questão aqui exposta, a qual agradeço e louvo porque é deste modo que eu entendo o conceito de Cultura, passo a referir-lhe que o lugar literário de Pessoa, comummente entendido, tem sido considerado de modernista… todavia, quanto a mim, ele deve ser entendido como um percursor do actual pós-modernismo. Muitos pensadores ensaístas nacionais e estrangeiros de hoje (dispense-me do relatório enfastioso que poderia citar) têm ousado afirmá-lo. Ademais as marcas estilísticas usadas por Pessoa, como sejam o profetismo, o para psiquismo, o nacionalismo desestruturado, a pluri–identidade contraditória, a própria ficção messiânica, a depressão contínua assumida (imagem da época) e a tendência dependente de alucinogénios salvíficos, dão-nos a sensação de que o nosso homem é, de facto, um percursor dos tempos de hoje – a era da globalização cultural, cuja prerrogativa é ter um défice estranho de valores, tanto os da Arte como, intrinsecamente os da Cultura. Portanto, na minha perspectiva, ele é um pós-modernista. Agora, é evidente que Fernando Pessoa sempre tem sido considerado, pela maior parte dos especialistas actuais, mais um filósofo/pensador do que propriamente um literato, o que só reforça o que afirmei acima. Neste contexto todo o acervo dos seus escritos é bem-vindo. Porque, apesar de muitos deles serem interpretados de uma forma discricionária são, em si mesmo, uma pluralidade de “formas de ver e sentir o mundo” na realidade que o envolve. Assim, quer os escritos “poéticos”, vulgo prosa poética, quer os seus ensaios, bem como o seu epistolário ou mesmo até os simples panfletos, são no seu conjunto um manancial digno de investigação e de reflexão. Daí eu defender a ideia de que Pessoa é tão só um «ponto de partida». Não sei se respondi cabalmente – tarefa ciclópica para o assunto em causa, ficando como é óbvio muito por dizer – à questão que me colocou. Mas fiz um exercício reflexivo, creio, suficiente para que o debate se considere proveitoso e positivo. Que lhe parece? Creia-me seu admirador e, fazendo votos de um fim-de-semana profícuo e repousante, receba um abraço cordial do poetAmigo ao dispor Frassino Machado www.frassinomachado.net ____ FERNANDO PESSOA EM DEBATE, 02 “Não deixa de ser salutar”! Observação feita por Manuela Carvalho Ó caríssima amiga, eu acho que F. P. não tem nada de salutar – se é isso que queria verdadeiramente dizer!? Sabe, o que se tem visto testemunhar miríades de vezes é que os pessoadependentes (passe o termo) se tornam paulatinamente em: inquietos, contraditos, macambúzios, frios, depressivos, insensíveis, e muitas das vezes confrontados com posturas de “fim de linha”. Concluindo F. P, nada tem de salutar (que dá saúde?) antes pelo contrário, tem sim carradas de "doentio". Posto isto, quero dizer-lhe que a única tábua de prevenção contra tais contágios será, sim, uma postura crítica ecológica. Talvez pelo menos a alma se salve. Que lhe parece? Seu ao dispor poetAmigo sempre Frassino Machado www.frassinomachado.net _____ _____________
FRASSINO MACHADO
Enviado por FRASSINO MACHADO em 02/09/2026
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