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Diário

10/07/2008 11h27
CONGRESSO INTERNACIONAL VIEIRINO
CONGRESSO INTERNACIONAL PE. ANTÓNIO VIEIRA
( 18 – 21 de Novembro )
PROPOSTA DE COMUNICAÇÃO
prof. Assis Machado
Tese : « VIEIRA – LUTADOR PIONEIRO DOS DIREITOS HUMANOS»
A - Resumo da Comunicação:
A formação de base do Padre António Vieira, iniciada cerca dos quinze anos na cidade de São Salvador da Bahia, assenta estruturalmente numa dinâmica profundamente humanista e socio-política.
Basicamente a sua evolução sempre se pautou por uma visão abrangente dos problemas do mundo na qual ele projectava uma inalienável vontade de intervenção, no sentido da conquista das melhores soluções para a sua regeneração.
As qualidades da sua forte personalidade sempre lhe marcaram o evoluir das suas posições: a honradez, a pertinácia, a disciplina, a frontalidade e a resistência. O seu sentido de serviço a favor dos outros inculcou-se-lhe de uma forma genuína no seu temperamento espontâneo.
Jamais, mesmo em circunstâncias cruelmente adversas, virou a cara à luta, imensas vezes desigual. Genericamente nunca quis aproveitar-se da influência dos ricos e poderosos, antes pelo contrário. A sua prolífera inteligência e cultura, aliadas a um forte conhecimento do género humano, nomeadamente das classes privilegiadas, bastavam-lhe sempre como armas a favor dos mais nobres combates.
Se alguma vez recorreu a este método fazia-o frontalmente com um único desiderato: defender aqueles que na sua opinião mais eram perseguidos e explorados. Estavam neste campo os Índios, os Negros, os Judeus e Cristãos Novos, isto é, todos os explorados e injustiçados.
Podemos concluir, à luz dos aspectos referidos que toda a existência humana de António Vieira, comprovada pela experiência riquíssima de toda a sua acção social, política e ideológica, não esquecendo o largo património do seu espólio literário, fizeram dele incontestavelmente um dos primeiros lutadores pioneiros dos Direitos Humanos.
B - Área Temática – “Pe. António Vieira e a Acção Política”
C - Nota Biobibliográfica
Biografia breve:
- Ano de 1623. É neste ano que Vieira se sente inclinado à vida religiosa missionária e entra para a Companhia de Jesus;
- Em 1624 vai para a aldeia de S. João da Mata para aprender Línguas nativas;
- Em 1625 decide dedicar-se ao serviço dos Índios e dos Negros;
- Em 1638, no cerco de S. Salvador pelos Holandeses, presta serviço cívico aos resistentes feridos e moribundos;
- Em 1643 propõe ao rei que sejam atraídos a Portugal todos os mercadores judeus exilados e dispersos pelos diversos países europeus;
- Em 1644, em Setembro, é nomeado Pregador Régio e os seus honorários destinados às Missões;
- Em 1646 é nomeado embaixador para a causa do Reino. Alia-se em Haia às Comunidades Hebraicas e manifesta-se a favor dos direitos dos Judeus em Portugal, contra a Inquisição;
- Em 1647 resume a D. João IV as principais razões que afligem os Cristãos Novos em Portugal;
- Em 1649, criada a Companhia Geral de Comércio do Brasil, consegue a isenção dos Cristãos Novos, mesmo contra a opinião da Companhia de Jesus;
- Em 1653, inicia uma actividade intensa de missionação, pelo interior do Brasil, falando já sete idiomas nativos;
- Em 1655, consegue a aprovação pelas Cortes do Regime dos Índios Livres;
- Em 1661 Vieira nega à Câmara do Pará entradas ao interior para fazer escravos, sendo expulso para Portugal por essa razão;
- Neste mesmo ano Vieira insiste com o rei D. Pedro II, para que se sobreponha à Inquisição no tocante à questão Judaica;
- Em 1674 são realizadas Cortes nas quais, por sua influência e empenho, tomam lugar os representantes dos Cristão Novos. Estes conseguem ver aprovado o direito a recurso contra o voto das Cortes;
- Em 1675 Vieira faz, pelo Reino de França, intensa campanha a favor dos Judeus e dos seus direitos de cidadania;
- 1690, apesar de fatigado e um pouco desiludido, Vieira ainda promove as Missões a favor dos Índios do Sertão da Bahia, com o lucro dos seus livros;
- Em 1694, perante a proposta paulista da transferência dos índios forros para a administração colonial, Vieira pronuncia-se vigorosamente a favor da “liberdade dos Índios”. A sua opinião acolhe o apoio da Corte de Portugal.
Títulos Relevantes
- António Vieira, CARTAS, Liv. Sá da Costa, 2.ª Ed., Lisboa 1997
- António Vieira, Escritos Históricos e Políticos, Coord. de Alcir Pêcora, S. Paulo 1995
- Hernâni Cidade, Pe. António Vieira, Editorial Presença, Lisboa 1985
- J. Lúcio de Azevedo, História de António Vieira, Clássica Editora, 3.ª Ed., Lisboa 1992
- J. Lúcio de Azevedo, História dos Cristãos-Novos Portugueses, Clássica Editora, 3.ª Ed., Lisboa 1989
D - Francisco de Assis Machado da Cunha
Rua Pêro Vaz de Caminha, n.º 17 – 2º Fte
Porto da Paiã
1675-202 Pontinha
machadofrassino@gmail.com
214781231 / 938450578
Externato Bartolomeu Dias – Sta. Iria de Azóia
E - Identificação :
n.º do Bilhete de Identidade – 1821560
n.º de Id. Fiscal – 114755124
*
Francisco de Assis M. Cunha
Licenciado em Ciências Historico-Filosóficas
Publicado por FRASSINO MACHADO em 10/07/2008 às 11h27

03/07/2008 09h32
COLABORAÇÃO INTERNACIONAL
CONCURSO ITALIANO LITERÁRIO «IL CONVIVIO 2008»
Fomos convidados mais uma vez – pelo Director da revista Italiana IL CONVIVIO – para integrar o Juri de Avaliação dos Trabalhos concorrentes ao PRÉMIO INTERNACIONAL IL CONVIVO 2008, nas modalidades de Poesia e Conto respectivamente, em Língua Portuguesa e Espanhola. Agradeço sensibilizado a confiança e a honra de que fui alvo por parte do escritor e poeta italiano Angelo Manitta. Eis a respectiva Carta recebida hoje mesmo:
“Carissimo Frassino Machado, ho il piacere che anche quest’ anno tu faccia parte della giuria del Premio IL CONVIVIO, mi auguro che la cosa anche a te gradita, perciò ti ínvio
i Testi da examinare per il Concorso IL CONVIVIO 2008 nella sezione in língua portoghese e spagnola. Il voto va dato da 40 a 100 e appena hai pronti i risultati me li fai avere,
comunque, se possibile, entro il mese di Juglio.
Se lo gradisci, inviami poesie di altri autori per i prossimi numeri del Convivio. Ringraziandoti perl a tua cortesia e collaborazione, ti porgo sentiti saluti.”
Angelo Manitta,
Presidente de l’ Accademia Internazionale “IL Convivio” e della Rivista “Il Convivio”
Publicado por FRASSINO MACHADO em 03/07/2008 às 09h32

03/07/2008 07h26
A UM LOUCO ... OUTSIDER
Eu não sei nunca, quando é que a tua loucura
É a verdade que eu não posso suportar.
Eu não sei mesmo se a minha razão
Me prende o pensamento
E a tua é a ponte para voar.
Assustas-me e fascinas-me.
Em ti, há um olhar perdido no infinito;
Em mim, há a possibilidade de ver só até
Onde a vista alcança....
Quando te vejo sorrir, quando te vejo brincar
Como criança, quando falas de coisas que eu sinto,
Mas não posso entender,
É como uma música dum Mundo perdido, mas que foi...
É como aquele pássaro que existe,
Mas que existe porque a gente o espera...
Olho-te e tento compreender.
(Porque fui educado para compreender e não para olhar).
Mas quando, em certos momentos, como faíscas
E raios de uma outra luz, eu «vejo mais» ...
Ah! Lá, quando eu me dispo das minhas «verdades»,
Dos meus «uniformes» e das minhas «razões»;
Lá, nesse teu mundo, que é loucura, dor, alegria,
Beleza, ternura, violência, amor e delicadeza;
Aí, quando me encontro contigo, mesmo contigo,
Apetece-me abraçar-te, fazer-te festas nos cabelos...
E ficar assim... Só assim..
Cantar-te uma canção de embalar e dizer-te:
Deixa lá! Eu também não entendo...
Júlio Roberto
Publicado por FRASSINO MACHADO em 03/07/2008 às 07h26

26/06/2008 07h47
RESPOSTA A MISSIVA
Caro Frassino,
Obrigado p'ela rectificação. Já emendei a data de o6 para o8. Muito, muito obrigado.
O que posso dizer sobre as suas críticas senão que tem razão. Peço, no entanto, para ser suficientemente indulgente para perceber que quando se escreve um ensaio não se pode pôr tudo. Seleccionam-se as matérias de que se tem mais forte conhecimento, outras, consideradas essenciais,que se investigam e, depois, tem de se fechar a porta a inúmeras materias que se consideram importantes, sem dúvida, mas acessórias para a defesa da tese. Foi isso que eu fiz. O Frassino diz que faltam elementos antropológicos do Leite de Vasconcelos (é verdade); outros, dizem que falta desenvolver o liberalismo; outros, ainda, dizem que devia a aprofundar a 1ª República; outros, finalmente, criticaram-me porque não desenvolvi suficientemte o Marquês de Pombal e o Absolutismo. Se tudo isto desenvolvesse, precisaria de 500 pp. e a editora tinha-me dado 100, que ultrapassei.
O "Complexo Torquemada" desenvolvi-o no "canibalismo" (ou "vampirismo", como gosta mais).
Vou, porém, guardar a carta do Frassino, que agredeço reconhecidamente, e, caso haja uma terceira edição e possa acrescentar umas vinte ou trinta pp. tentarei corresponder às suas críticas.
Um grande, grande abraço
Miguel Real
PS: - Vou para fora uma semana.
Publicado por FRASSINO MACHADO em 26/06/2008 às 07h47
22/06/2008 20h27
MISSIVA DE FRASSINO A REAL
Porto da Paiã, Junho 2008
Caríssimo amigo,
agradeço-lhe a sua tão benfazeja solicitude. Daqui lhe envio os melhores votos de saúde e bem-estar, para si e sua família. Fiquei contente por ter gostado do acróstico que fiz em homenagem ao nosso Digmo. Professor Agostinho da Silva. Vou enviá-lo, sim, ao Dr. Renato Epifânio já amanhã de manhã, pelo correio. Eu prometi pessoalmente enviar-lhe uns tantos Textos de minha autoria para que se possa aferir da qualidade mínima de merecerem ou não ser publicados na NOVA ÁGUIA, por exemplo. São ao todo "treze" textos seleccionados de toda a minha Poética, aleatoriamente. E vou tentar anexá-los aqui nesta mensagem para si, que é também para ficar com uma «cópia de amigos». E, quando puder, agradeço-lhe o favor de um parecer sobre este Trabalho... oportunamente, ok ?
Bem haja por me ter mandado as suas «contribuições amigas» sobre o nosso PAV. Irão constituir um útil apoio para algo que eu venha a escrever futuramente. Muito obrigado. Quero é só dizer-lhe, antes que esqueça, que numa das folhas vem indicada a data de nascimento do PAV em 1606, quando, se não estou em erro, foi em 1608. Até fui conferir em diversos autores (clássicos e outros) e todos informam o ano de 1608. Diga-me o que há de novo com esta divergência... pois posso não estar ao corrente e, assim, ficarei esclarecido.
Ficarei feliz se me enviar, então, a Ficha de Inscrição para o Congresso sobre Eduardo Lourenço e informe-me sobre as demarches a seguir para poder lá estar, como pretendo.
Já li, em primeira mão os seus dois Livros que me foram úteis para me actualizar e culturizar mais um pouco. Quanto à MORTE DE PORTUGAL parece-me que merece bem, como já lhe disse, um «seguimento» com "mais uma ou até duas etapas", porque o seu Texto está um espanto de referências científico-culturais mas, na minha modesta opinião, enferma de algumas "ausências" que eu reputo de imprescindíveis para todo aquele acervo fenomenal. Assim, ao correr da pena poderei apenas referir um ou outro ponto... apenas como reparos / dicas :
a) Parece-me haver um excessivo determinismo quando privilegia o surgimento do «espírito português» apenas na Lusitânia e em Viriato. Está abandonada (não me recordo se a referiu ou não) a tese da nossa "identidade original nórdica"... latente de igual modo em diversos pensadores. Não podemos esquecer, julgo eu, um Alberto Sampaio, um Damião Peres, Orlando Ribeiro ( do qual me recordo de nos dizer que suspeitava que o nosso mais genuíno património anímico morava para lá do Ave e do Marão...) um Paulo Merêa, um Martins Sarmento, etc. Incluo aqui neste etc, pensadores galegos e castelhanos, não esquecendo a "suspeição de interioridade" do próprio Alexandre Herculano. E não olvido por certo que o grande Sá de Miranda ( a pérola do Neiva ) "se exilou para lá do Ave", porquanto lhe parecia estar num país diferente...
b) Como lhe disse há dias, na linha da "espiritualidade e utopia" falta, mais uma vez na minha modesta e frágil opinião, a referência ao Franciscano do Alto, ou seja, Raul Brandão. Dizia deste grande escritor ("pintor da alma"), se não me engano Almada Negreiros - jovem intelectual que o admirava, no dizer de Dona Angelina - que quando Brandão saía para o Norte a alma da Capital se esvaziava fazendo subir a Casa do Alto às alturas do Marão. Referindo-se aqui ao amigo comum Teixeira de Pascoaes. A única poalha que vislumbrei no seu Texto foi a referência à "loucura do Gabirú"... o que me parece muito pouco, para tal mestre da nossa Literatura, não acha ?
c) E para não me alongar mais gostaria de lhe confessar que me choquei um pouco com a expressão agressiva de "cultura canibalista" para esse vício antropofágico patente na mentalidade lusa. Mas eu entendo a ideia! Todavia para esse evidente vício eu empregaria não a metáfora da carne mas, sim, do sangue. Com referência à alma eu acho ser o rubro líquido mais elucidativo e não a carne. Eu diria "sugar a alma" e não "comer a carne". Contudo a dinâmica será a mesma... e assim falaríamos mais de CULTURA VAMPIRISTA !
d) Acrescentaria eu, para finalizar, juntando aos quatro complexos identificados em «A Morte de Portugal» - se é que poderá ter cabimento neste contexto - um quinto: o "complexo Torquemada" ( na terminologia de um ex-colega meu professor exilado já, voluntariamente, para lá do Estige...) que evoluiu sub-repticiamente ao longo da nossa história, ao qual poderíamos apelidar de "complexo de culpa" ... derivado das circunstâncias que conduziram às derrotas não justificadas. A partir do norte de Portugal quase sempre nestas ocasiões se lança mão deste fatal argumento maquiavélico, identificado lá como a "mezinha do bode expiatório". Assim aconteceu, dando fé às lendas de D.Teresa, na Póvoa de Lanhoso; da "perna partida/ queda do cavalo", em Badajoz; do "Frade de Toledo", na pessoa de Dom Sancho II ; da "peste alfacinha", na pessoa de D. Filipa; da "Traição de Alfarrobeira", na infeliz decisão do Duque de Coimbra; da "bandeira do maneta", na patameira de Toro; do "mistério de Alenquer", na pessoa ingénua de Damião de Góis; das "barbas venerandas", na teimosia de D. João de Castro; do "imperador fantoche", na atitude frontal de Albuquerque; do "exílio fatalista", do impoluto Dom Luís de Meneses ... e por aí fora, até aos "macabros processos" dos Távoras, de Gomes Freire, Aristides Sousa Mendes e Humberto Delgado ... Nesta saga, hiberna escondida a "sanguessuga da vergonha" fazendo-se passar por vitórias as mais lamentáveis, quão inesperadas, derrotas. Daqui inferiremos uma das origens mitológicas do nosso "polémico sebastianismo" ... Quanto a nós, poderemos concluir que em todos os mitos da história, nomeadamente nos "mitos de com-tensão", derivados de frágeis e nefastas circunstâncias, há sempre um "complexo de culpa".
Quanto ao resto, bem haja pela oportunidade que me concedeu de ler o seu excelente livro que, como disse atrás, merece uma sequência letrada, conforme ao seu refinado estilo, com pompa e majestade.
Um grande abraço e perdoe-me alongar-me tanto nas minhas considerações que, como disse, não passam de humildes "dicas de circunstância".
Um abraço cordial do poetAmigo e sempre ao dispor,
Frassino Machado
Publicado por FRASSINO MACHADO em 22/06/2008 às 20h27
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